
Se Daniel Munduruku fosse o Caminha?
E se 525 anos depois o Brasil fosse recolonizado pelos povos originários? Esses milhares que, pela resistência, remanesceram bravamente da avalanche colonizadora ocidental.
Ando pensando nisso. E concluo. Gostaria que fosse!
Li “Futuro Ancestral” de Ailton Krenak e assisti a uma conversa do Daniel Munduruku com psicólogos junguianos, no Congresso Jung 150 anos. Esses dois filósofos têm repertórios impactantes.
Ensinam ao ocidente sobre como salvar o planeta da nossa lógica de produzir, consumir e acumular riqueza, mais e mais sempre. Às custas da pobreza e da natureza. Pobreza coletiva que só aumenta. Natureza que só se degrada.
Diferente do escriba português, Munduruku diria: A nossa Mãe Floresta tudo dá. A milhares de povos. Há milhares de anos. Melhor não confrontá-la.
Para os ancestrais do Brasil o futuro não existe, como para o ocidente. Eles vivem o presente e aprendem com o passado.
O indígena idoso é o mestre que ensina aos jovens. E o seu coletivo é uma biblioteca viva sobre como aprender com a natureza. Para eles o tempo não é uma linha reta sucessória que só anda para a frente . O tempo ancestral é circular.
E se dá pela dinâmica dos dias que acordam e adormecem. Para todos os seres. Humanos e não humanos. Árvore, rio, peixe, ave, bicho, gente. É tudo ser. Ente querido.
O tempo ancestral é o tempo das estações que passam a limpo todos os tempos vividos. Do outono à primavera. Do inverno ao verão.
Ensinamento gravado nas mentes do colelivo que se repete, se renova e se inova a cada geração. Como na natureza. Inteligência natural. Nada artificial. I.A.: Inteligência Ancestral. Conhecimento fundado na observância silenciosa e atenta da mãe Terra.
Os colonizadores que aqui chegaram no seculo XVI, penso, deveriam devolver o Brasil aos povos originários. E com um sincero pedido de desculpas…
O futuro nas mãos da ancestralidade. Como seria incrível!
Amor de índio. Ancestral. Possível. Sustentável.
Joao Gimenez
Poeta minimalista
Poesia da Sexta – CDXXV mandacaru insiste água jorra em terra seca refrigério d’alma joão gimenez 12/08/2022
Poesia da Sexta” – CLXXXVI a flor abre e não vemos o céu ensina e não sabemos a lua acaricia […]
Poesia da Sexta – CDXXIX mal percorro e já tenho o socorro dos bichinhos noites e breus consomem com os […]
João Gimenez é escritor e poeta. Garimpeiro de palavras.
Tem três livros publicados. A completude do verso (2013 – Editora 3i), Versos Velados (2015 – Editora 3i) e O céu, a lua e as estrelas (2019 – Editora Aldrava, Letras e Artes).
Com O céu, a lua e as estrelas, João Gimenez foi premiado em 3o. lugar no Concurso Internacional de Literatura da UBE/RJ – União Brasileira de Escritores – Rio de Janeiro, na modalidade Aldravia, Prêmio Gabriel Bicalho.
É membro efetivo da ALACIB – Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil – Mariana – MG e da SBPA – Sociedade Brasileira dos Poetas Aldravianistas.
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